22 de janeiro de 2022
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Dom Guido publica a segunda carta sobre a situação do coronavírus: “Juntos diante da realidade”

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dom quido

DOM GUIDO ZENDRON

Paulo Afonso, 26 de março de 2020

Caros irmãos e irmãs, amigos e amigas,

Diante do fato de como um pequeno vírus tem a força de parar o mundo inteiro e de despertar angústia, dor e insegurança, ressoam com mais força as palavras de Jesus: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” (Mc 6, 50)

O Evangelho da Anunciação nos diz o porque estas Palavras de Jesus são dignas de confiança: “Pois para Deus nada é impossível.” (Lc 1, 37) E o anjo confirma estas palavras anunciando como uma virgem e uma pessoa idosa e estéril darão à luz um filho.

Neste tempo no qual a ciência achava de ter conseguido produzir a vida e tirar a vida, quando muitos pensavam que a economia fosse o aspecto mais importante para criar um novo bem estar tanto que sempre mais colocaram Deus ás margens da convivência, num tempo no qual o respeito da natureza foi completamente quebrado para explorar ao máximo e de forma imediata o que ela poderia oferecer no tempo, eis que a fragilidade humana aparece em toda a sua dramaticidade e, mais uma vez se confirmam as palavras de Jesus: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,6)

Como sempre, o orgulho e a autossuficiência se voltaram contra a humanidade, não como castigo de Deus e sim como consequência inevitável das escolhas feitas.

Como nos diz o Evangelho de Marcos, Jesus Cristo foi reduzido a um fantasma, a algo do qual ter medo, pois parece que a Presença dele limita a nossa liberdade, a nossa felicidade e o progresso sem limites.

Até dentro da Igreja a Presença com a qual Jesus vem hoje ao nosso encontro é vista como um pretexto para apoiar as próprias ideias. Para uns que confiam numa tradição estática até o Papa Francisco é considerado como uma ameaça, para outros que acham que não precisamos mais de doutrinas e regras e que se faz necessário percorrer um novo caminho, é visto como aquele que vai mudar a Tradição, para a maioria, graças a Deus, é acolhido e seguido como aquele que, escolhido pelo Espírito Santo, nos ajuda a reconhecer em Jesus a Presença amiga que dá alivio e significado positivo a tudo o que é profundamente humano.

Lendo nestes dias tantos comentários, muitos evidenciam como o perigo maior quer durante, quer depois da pandemia do Covid 19, pode ser aquele vírus que nos impulsiona a viver uma vida sem sentido, preocupados unicamente no defender direitos individuais e de grupo, sem um horizonte que permita a Jesus de entrar no barco de nossa vida e de nos ajudar enfrentar com serenidade as tempestades que com certeza sempre encontraremos.

Como procuro viver tudo isto, estando em casa e no mesmo tempo com o forte desejo de estar mais perto de cada um e cada uma?

O relato da Anunciação termina dizendo: “E o anjo retirou-se.” (lc 1, 38)

A partir daquele momento a responsabilidade ficou toda com Nossa Senhora, sempre acompanhada pelo Espírito Santo.

Depois do Batismo também cada um de nós é chamado a viver a vida nova recebida em dom, pois “eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim.” (Gl 2,20)

O que pessoalmente procuro viver nestes dias, também através da convivência com três nossos seminaristas, é uma oração mais profunda e momentos de reflexões enfrentados com mais calma, ler e responder a muitas mensagens que chegam de tantas pessoas, tudo com a consciência da Presença amiga de Jesus que vence as minhas ansiedades e repete: “Coragem, sou eu, não tenhas medo.”

É o que desejo a cada um de vocês e por isto peço que a benção de Deus chegue em todos os nossos corações pela intercessão de Nossa Senhora de Fátima.

Em comunhão

Dom Guido Zendron

Bispo da Diocese de Paulo Afonso

 

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