19 de janeiro de 2022
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Querida Amazônia! O que nos ensina o Papa Francisco?

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Querida Amazônia - arte

Há poucos dias o Papa Francisco lançou um novo documento direcionado seja ao povo de Deus, seja a todas as pessoas de boa vontade. Trata-se da exortação apostólica pós sinodal “Querida Amazônia”. O desejo do Santo Padre é que “toda a Igreja se deixe enriquecer e interpelar por este trabalho” (n. 4). Lendo o documento podemos aprender, e muito, e aqui apontamos seis lições principais dadas pelo Papa Francisco.

Primeira lição: a Amazônia está no coração do mundo! A centralidade da Amazônia se dá por dois motivos. De um lado por toda a riqueza que contém em si, que engloba a grandeza de sua biodiversidade, a beleza cultural, as raízes indígenas, a religiosidade ali vivida, etc. De outro lado, porém, por conta dos graves problemas que a afligem: o desmatamento, as mudanças sociais que levam a desordenada urbanização, a carência de políticas públicas, a migração, a pobreza, a necessidade de evangelizadores etc. Mas o que o restante do mundo tem a ver com esta realidade? A resposta é: tudo está conectado. A riqueza da Amazônia é a riqueza do mundo, sua morte é a morte de todos. Por isso, o Papa afirma: “A Amazônia querida apresenta-se aos olhos do mundo com todo o seu esplendor, o seu drama e o seu mistério” (n. 1).

Segunda lição: nossa casa comum pede socorro! “O equilíbrio da terra depende também da saúde da Amazônia” (n. 48) e a realidade é que seus ecossistemas estão ameaçados. Aquele território sofre diretamente o avanço do desmatamento, a falta de investimentos para preservação, a pressão de uma visão econômica que busca sugar as riquezas da terra a todo custo. Sofre também, como todo o mundo, por conta da poluição e do aquecimento global. A riqueza biológica está ameaçada e a Igreja não está alheia a esse perigo porque “para nós o grito da Amazônia ao Criador é semelhante ao grito do Povo de Deus no Egito” (n. 52). Socorramos o ambiente!

Terceira lição: o Senhor cuida de nós e nos convida a cuidar dos irmãos e do ambiente que Ele nos dá a cada dia! Isso significa que no centro do ambiente está a vida humana. Citando o papa emérito Bento XVI, Francisco nos recorda que “ao lado da ecologia da natureza, existe uma ecologia que podemos designar ‘humana’, a qual, por sua vez, requer uma ‘ecologia social’” (n. 41). Assim, no centro do cuidado ecológico está a vida dos povos com sua riqueza cultural e suas necessidades sociais. É isso que se chama ecologia integral que se preocupa por todo tipo de vida, privilegiando a vida humana e consciente de que tudo está interligado. Essa é a síntese do sonho ecológico, cultural e social de Papa Francisco.

Quarta lição: Jesus Cristo, libertador e redentor, deve ser anunciado! Ao cristão não é permitido renunciar de comunicar a experiência do encontro com Aquele que muda a vida e, por isso, “a autêntica opção pelos mais pobres e abandonados, ao mesmo tempo que nos impele a libertá-los da miséria material e defender os seus direitos, implica propor-lhes a amizade com o Senhor que os promove e dignifica” (n. 63). Assim, o sonho eclesial do Papa é que Jesus seja anunciado, através de uma verdadeira inculturação do Evangelho, redescobrindo a espiritualidade presente na cultura amazônica, valorizando a ministerialidade da Igreja, o protagonismo das mulheres, a convivência ecumênica e inter-religiosa e, sobretudo, obedecendo ao mandato missionário de Jesus: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15).

Quinta lição: caminhemos juntos! O método encontrado pelo Papa para enfrentar essa realidade foi “caminhar junto”, é isto que significa a palavra sínodo. Convocando todos os bispos que vivem na Pan-Amazônia, composta por nove países, com o auxílio e discernimento de tantos leigos e leigas, religiosos e religiosas, especialistas na questão, dentre os quais representantes indígenas, o Santo Padre quis escutar a voz da Amazônia. Da escuta partiu o diálogo e do diálogo surgiram novas possibilidades onde todos se tornaram corresponsáveis. Todos nós devemos aprender a caminhar juntos.

Sexta lição: reaprendamos a sonhar! Mais do que fazer um estudo sobre a realidade amazônica ou apontar soluções científicas para seus problemas, Papa Francisco abre seu coração e nos fala sobre os seus sonhos para a Amazônia (n. 7). Diante da realidade em que vivemos, tantas vezes cruel, corremos o risco de endurecer o coração. Faz-se necessário revigorar a esperança, contemplar o horizonte e ser capaz de sonhar. Citando Vinícius de Moraes o Papa nos convida a admirar o belo: “A esse mundo, só a poesia poderá salvar”. Somos convidados a sonhar e sonhos de Deus e assim encher o mundo de esperança.

 

Pe. Evandro de Santana Andrade

Mestrando em Teologia Patrística

Diocese de Serrinha (BA)

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