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13 de Abril de 2014 - 15:05 - Postado por Ivone Lima

A Semana Santa

Através da liturgia a Igreja nos faz mergulhar e viver os mistérios mais profundos da vida de Jesus e, então, da nossa vida também. Durante os séculos a religiosidade popular enriqueceu com a própria cultura e criatividade os momentos fundamentais da vida de Jesus, de Nossa Senhora  e dos santos patronos.

De modo particular os ritos da semana santa foram e são grandes oportunidades de evangelização com as encenações da Paixão de Cristo, do encontro de Nossa Senhora com o Cristo morto, além das celebrações do Tríduo Pascal.  Tudo para ajudar-nos recuperar o essencial do cristianismo, isto é, o amor de Deus que em Jesus Cristo quer a proporcionar-nos  a verdadeira felicidade.

Na sua belíssima exortação “A alegria do Evangelho” papa Francisco nos diz que “quantos se deixam salvar por Jesus são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento”.

Diante destas palavras que descrevem a experiência de muitos, lembrei aas palavras de uma música do cantor italiano Vasco Rossi, uns dos mais transgressivos, já envolvidos em problemas de álcool e droga.

“Quando caminho sobre estas nuvens danadas, vejo que as coisas fogem. Dos meus pensamentos nada dura. Quando caminho neste vale de lágrimas, vejo que se deve abandonar tudo. Nada dura, nada permanece e tu o sabes, mas nunca se acostuma.  Quem sabe por que?….Quando me sinto dizer ‘a verdade’ fico confuso, não tenho segurança.  Quando penso que não existe nada , só fumaça, aparência e nada de verdadeiro, e que nada é verdadeiro e talvez tu o sabes, porém  apesar de tudo isso tu continuaras. Quem sabe por que? Quem sabe por que? Quem sabe por que?”

A semana santa nos ajuda olhar com realismo justamente este fato: nada permanece. No mesmo tempo ela nos coloca diante de um acontecimento que dá sentido verdadeiro a tudo o que existe: Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida. Sua morte e ressurreição tiraram a mentira do coração que para nas aparências e que, através de um caminho superficial,  quer nos iludir e tirar do empenho com a nossa vida e a vida de todos.

Assim lembrei-me de uma música do argentino Abel Pintos, Ojos de cielo: “

Se  eu olho no fundo dos seus olhos ternos

Me esqueço do mundo com toda a sua miséria.

Me esqueço do mundo e descubro o céu

Quando  mergulho nos seus olhos ternos

Olhos de céu, Olhos de céu

Não me abandones em pleno voo

Olhos de céu, Olhos de céu

Toda minha vida por este sonho

Se eu me esquecesse do verdadeiro

Se eu me distanciasse do mais sincero

Teus olhos de céu me fariam recordar

Se eu me afastasse do verdadeiro.

Se o sol que me ilumina se apagasse um dia

E uma noite escura tomasse a minha vida

Teus olhos de céu me iluminariam

Teus olhos sinceros, meu caminho e guia.

Os olhos do céu são os olhos de Jesus que com a força misericordiosa do seu olhar ressuscitou Lázaro, o filho da viúva de Naim, limpou o coração sujo e ferido da adultera…

Encontrar e seguir o olhar de Cristo é a verdadeira sorte da vida. “Somente graças a este encontro com o amor de Deus que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa consciência isolada. Chegamos a ser plenamente humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos conduza além de nós mesmos a fim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro” nos diz papa Francisco.

Desejo a cada um de vocês, amigos e amigas, a graça de vivermos a semana santa com a disponibilidade e o pedido de encontrar o olhar de Jesus no olhar de cada um de nós porque “são necessários cristãos que tornem visível aos homens de hoje a misericórdia de Deus, a sua ternura por todas as criaturas.” (Papa Francisco)

 

Dom Guido

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