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6 de janeiro de 2014 - 12:26 - Postado por Raquel Melo

Reflexão – Palavra de Dom Guido

“A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele e são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos.”

Com estas palavras do Papa Francisco desejo percorrer o caminho da vida com todos aqueles que pretendem enfrentar a existência cotidiana, mantendo vivo o desejo de reencontrar em cada circunstância Aquele que preenche de verdade a grandeza do nosso coração.

Encontrei no canto “Eu caçador de mim” (Sérgio Magrão/Luis Carlos Sá) a atitude mais razoável para não ficar preso nas minhas medidas ou esquemas, nas minhas ocupações ou distrações, na superficialidade e nas aparências que tanto nos fascinam e nos enganam.

Esta música lembra a inquietação de santo Agostinho, quando escreve: “Instigado a entrar a mim mesmo, entrei em meu íntimo sob tua guia e consegui porque Tu te fizeste meu auxílio. Vi-me longe de Ti no país da dessemelhança… Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhastes, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.”

São Gregório Nazianzeno descreve de forma brilhante a nossa existência: “Que tirania é esta? / Vim para a vida – bem –, / mas por que ela me agita com suas violentas marés? / Quero dizer uma palavra audaz, sim audaz, mas quero dizê-la: / se não fosse teu, ó meu Cristo, que injustiça! / Nascemos, deperecemos e chegamos ao final. / Durmo, repouso, estou acordado, caminho. / Estamos ou doentes, ou sãos, / ou entre os prazeres, ou entre os afãs. / Participamos às estações solares e aos frutos da terra. / Morremos e nossa carne apodrece: / este é o destino dos animais, / que, por mais ignóbeis, não têm culpa. / Então o que tenho mais que eles? / Nada a não ser Deus: / se não fosse teu, ó meu Cristo, que injustiça!”

Aqui a palavra Deus aparece com toda a consistência que ela tem: não um sentimento, não uma inspiração, não uma questão ética, e sim uma Presença que está na origem, no presente e no destino final da vida.

Para melhor viver o tempo do Natal procurei meditar as seguintes palavras do Papa Francisco: “E a razão da nossa esperança é a seguinte: Deus está ao nosso lado, Deus ainda confia em nós! Contudo, existe algo ainda mais surpreendente. A presença de Deus no meio da humanidade não se concretizou num mundo ideal, idílico, mas neste mundo real, marcado por muitas situações boas e más, caracterizado por divisões, maldade, pobreza, prepotências e guerras. Ele quis habitar na nossa história como ela é, com todo o peso dos seus limites e dos seus dramas, para nos elevar da poeira das nossas misérias, das nossas dificuldades, dos nossos pecados.”

É na vida real que devemos verificar a consistência de nossa fé a fim de podermos dizer se a promessa de Jesus Cristo é verdadeira ou pura consolação que não tem a força de mudar a pessoa e a vida concreta.

Chamou também minha atenção as leituras da solenidade de Nossa Senhora da Conceição, quando na primeira leitura do livro do Genesis, após o pecado original Deus procura Adão perguntando: “Onde estas?” e no Evangelho que relata a Anunciação a Maria, São Lucas diz que o anjo entrou “onde ela estava.”

Com certeza não é uma questão de lugar geográfico e sim da postura do coração: sem o relacionamento com Deus Criador vivemos desnorteados, ao passo que com Ele tudo se torna mais simples.

A alegria do Evangelho brota como resposta à iniciativa de Deus que veio e vem ao nosso encontro qualquer que seja a nossa situação física ou moral, para nos dizer: “Te amo e não desisto no proporcionar-te a possibilidade de uma verdadeira felicidade. Por isso estou à porta e bato. Se me abrir entrarei e jantarei junto contigo.”

 

Dom Guido Zendron

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