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19 de janeiro de 2014 - 07:53 - Postado por Raquel Melo

Palavra do Pastor / A Alegria do Evangelho

“Se soubesse o quanto sou indiferente às coisas da terra! Que me importam todas as belezas criadas? Seria muito infeliz possuindo-as, o meu coração sentir-se-ia tão vazio! É incrível como o meu coração me parece grande quando considero os bens deste mundo, por quanto todos reunidos não o poderiam contentar; quando porém considero Jesus, quanto o meu coração parece pequenino!”

Com a simplicidade destas palavras Santa Terezinha do Menino Jesus descreve a experiência de quem leva a sério a vida.

Entre os presentes de Natal, recebi o livro do amigo José Eduardo Ferreira Santos “Faixas assombrosas: a nascente da beleza nas canções populares”. Li e apreciei muitas músicas até então desconhecidas. Muitas delas descrevem de forma diferente o drama humano de quem leva a sério a vida: somos deste mundo, feitos de carne e osso, somos criaturas finitas, no entanto não estamos satisfeitos com as realidades deste mundo.

Na música “Pilotando o bonde da excursão” Marcelo D2 expressa esta chama que carregamos no fundo do coração e que nos deixa inquietos empurrando-nos sempre além das aparências.

Parece-me que, sem terem consciência. No pano de fundo destes textos ecoam as palavras do salmo 41(42): “Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minha alma por vós, ó meu Deus. Minha alma tem sede de Deus e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus?”

Todo o caminho dos povos e das pessoas é caracterizado por esta busca à qual precisamos dar uma resposta sem reduzir o tamanho do nosso desejo, das nossas exigências.

Em Educação sentimental II (Leoni/Paula Toller / Herbert Vianna) encontramos este  drama da existência: o que para todo mundo é normal, não o é quando o comparamos com a vida real. “Era tudo tão perfeito se tudo fosse só isso. Mas isso é menos do que tudo, menos do que eu preciso”

É verdade que sem a companhia de alguém que continuamente nos ajude a ter viva esta consciência caímos na indiferença, na falta de empenho sério com a vida. Não é por acaso que Adélia Prado escreve: ”Não quero nem faca nem queijo: o que quero é fome”.

Na Exortação Apostólica papa Francisco descreve muito bem como esta experiência de alegria está presente em cada pagina da Bíblia e é resposta ao nosso desejo de felicidade. Nós desejamos, mas não temos como responder sozinhos ao desejo.  Procuramos e muitas vezes apanhamos: o que era promessa de felicidade se tornou desespero. Quantas desilusões no amor, na droga, no álcool, no procurar ter em vez do ser…

Renato Teixeira expressa com palavras poéticas o caminho que é de tantos de nós no canto bem conhecido: “Tocando em frente.”

Reconhece que cada um carrega o dom de ser capaz, de ser feliz: o dom, algo não produzido por nós, mas que Quem nos criou colocou em nós a fim de que possamos reconhecê-Lo como Aquele que, único, preenche a nossa vida.

Papa Francisco traz os fatos bíblicos que despertaram a alegria nas pessoas: o acontecimento de uma novidade impossível a ser produzida pelos homens e que aconteceu unicamente pela iniciativa e a presença de Deus.

Podemos pensar em Isabel e Maria: uma estéril e a outra virgem.

A maternidade das duas nos diz que para Deus tudo é possível e por isso nenhuma circunstância nos faz desesperar porque Ele nunca nos abandona esquecendo-se de nós, nem nos trata como algo descartável.

A possibilidade de ser verdadeiramente feliz depende então da abertura do nosso coração.

Papa Francisco: “Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que «da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído».”

 

 

Dom Guido Zendron

Bispo Diocesano de Paulo Afonso-BA

 

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